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Mil (1000) Desculpas

 Eu devo ter pelo menos um milhar e meio de coisas da qual me arrependo e muito, coisas que vão das mais absurdas às mais pueris e insignificantes, mas são arrependimentos mesmo assim. A maioria destes tem a ver unicamente comigo, mas alguns dizem respeito a outros, e são estes os que mais me movem e tiram de mim a paciência, e muitas vezes o sono. Devo admitir, é fato, já machuquei muito, talvez tanto quanto fui machucado, e sinto que aprendi todas as vezes que deixei em terceiros marcas, mas não posso dizer com certeza que aprendi o bastante, e quando não aprendemos, o mínimo que podemos fazer é baixar a guarda, engolir o orgulho e pedir perdão. Da mesma forma que tenho mil arrependimentos, considero ter pelo menos umas mil desculpas para pedir, sei que algumas delas eu com certeza já deixei em muitos lugares, mas gostaria de deixar algumas aqui também, se não for incômodo, é claro. 

    Queria pedir desculpas por ser tão inquieto, sei que isso atrapalha, é chato me ver relutante em tantas coisas, certeiro em tantas outras, vivendo esse ping pong absurdo entre esses tantos sentimentos. A inquietude mata um pouquinho, as vezes um monte, e esse é o mais difícil, não saber com certeza se esse incerto é passageiro, ou se vai durar uma eternidade. 

    Desculpa pela minha calma, tem momentos, e esses vários, em que eu deveria ser uma pessoa mais ativa, um pouco menos parado, um pouco menos medroso, eu deveria ser mais direto, colocar a boca pra falar aquelas coisas que eu deixo guardadas, e, Deus, como isso irrita! Eu sei que irrita, por que não irritaria? Ver alguém se remoendo em algo até aquilo "desaparecer", se tornar um pedacinho de pipoca dentro do dente no fundo da boca que te incomoda em absurdo, até que você não aguente mais e exploda. Me desculpa por explodir, eu sei que eu explodo, e eu explodo porque passo muito tempo calmo. 

    Me desculpa por não ser muito bom em fazer pipoca, eu tento, eu juro! Mas é que é realmente muito difícil, se eu deixo muito tempo queima, se eu deixo pouco não estoura, aí é aquela coisa de ter que ficar em cima, olhando o tempo todo, só pra ter certeza, prestando atenção em cada som, cada movimento, tudo que for diferente. Me desculpa por perguntar se você tá bem o tempo todo, mas é que é realmente muito difícil, se eu falo de menos parece que não me preocupo, se eu falo demais, bem, parece que eu sou doido, mas não é isso, espero que saiba, sei que já te frustrei com isso algumas vezes, mas veio de um lugar bom, ok? Ok. 

    Eu não tive muita coragem, sinto muito por isso, desculpa mesmo. Talvez se eu fosse mais esperto, talvez se eu tivesse olhos melhores pra ver exatamente o que estava acontecendo eu fosse corajoso o suficiente pra poder confrontar aquilo tudo, mas eu não fui. Que droga, eu realmente não fui, e só Deus sabe se eu poderia ter sido, tanto porque eu nem sei se já sou. Talvez eu seja. 

    Desculpa por fazer essa cara de tonto em todas as fotos que eu tiro, é que esse é meu ângulo bom, meu melhor rosto, a melhor forma que eu consigo expressar esse meu cansaço, essa minha frustração, esses meus alvoroços e intemperes ridículos que tanto me assolam. Essa raiva que eu deixo guardada bem lá no fundo, e não quero mostrar de jeito nenhum, aquela raiva que só meus sonhos veem e que minha gata escuta as vezes de madrugada. Eu acho que eu fico bonito, não sei. 

    Em específico, desculpa por aquela vez que eu te cobrei pelo mínimo, eu não sabia que era o seu máximo. Desculpa por ter dado o meu máximo, quando ninguém além de mim merecia aquilo. Eu sei que já te sufoquei, mas eu não sei não me transbordar. 

    E me desculpa pelo atraso, eu juro que foi o trânsito, você sabe como é São Paulo, é só chover que tudo para.  

Prometi mil desculpas, mas só dei oito, em algum momento eu deixo as outras 992.

 


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